3ª FLIP, Paraty, Julho de 2005


Ou quem sabe menos do que isso:
apenas uma pista, um indício
do horizonte a ser inscrito
pedra a pedra, ilha a ilha.
˜ Alberto Martins, in: Cais



32.
Eu não quero mudar o mundo.
Não tenho tempo para isso.
Quem quer mudar o lugar do mundo actua como quem muda o lugar de um móvel:
Empurra primeiro para um lado,
foi força demais,
empurra então para o outro lado,
agora com força de menos,
depois mais um pequeno toque para lá
e um ainda mais pequeno toque para lá,
e agora sim: o móvel está no lugar.
Depois abrimos o móvel e vemos que os copos que estavam lá dentro se encontram todos partidos.
Estão a ver?
Os copos todos partidos.
Que aborrecimento.
Não nos lembrámos da fragilidade do vidro.
˜ Gonçalo M. Tavares, in: O Homem ou é tonto ou é mulher
3ª FLIP, Paraty, Julho de 2005

"Faça como o velho marinheiro
que durante o nevoeiro
leva o barco devagar"
no show de abertura do Paulinho da Viola



"... entre o galope do sonho e o riso a cavalo..."
˜Ariano Suassuna, curando gripes no domingo de manhã


3ª FLIP, Paraty, Julho de 2005





"Perdi o dia mas ganhei o mundo
mesmo que por trinta segundos"
˜ Paulo Henriques Britto
FLIP 2004 - Parte VI, e última
O especial "Minha FLIP", no Paralelos, traz algumas impressões pessoais de quem esteve em Paraty.
A Minha FLIP, em 13 fotos e algumas letras, está lá.


FLIP 2004 - Parte IV


- "O ser humano é indefinível, inaccessível e incontrolável"


- "Você quer desembrulhá-lhas e elas desembrulham você" (sobre as personagens)


- "O livro há de sobreviver, como a água, como o mar"
[ Lygia Fagundes Teles ]
FLIP 2004 - Parte III


Na Rua da Praia, onde a FLIP parece não ter chegado, Paraty escurece em um fim de tarde gelado, os lampiões acendem mais cedo e o vento se esgueira pela escada da Capela até a Tenda da Matriz.




FLIP 2004 - Parte II


Wisnik, Guimarães Rosa e O Recado do Morro, "uma espécie de alegoria da formação do Brasil"

- "Recado não é mensagem"

- "Em Rosa, só os lunáticos dão o recado"



FLIP 2004 - Parte I

Paraty é ruela perdida, desvio de pedras, água que sobe, rebarba de sol, perder-se do cais, encontrar um beco, um tronco, apaixonar, escrever urubu.







Noites de julho. Vimos uma estrela cadente, um acidente e mais um monte de coisas que ninguém vê. A lua cheia se põe de manhã. Luz azul na madrugada. Festa junina, cheiro de lenha e o meu nome chamado na janela.

Às vezes as imagens ficam guardadas e não querem sair. Dias a fio e nada. Depois, quando já não havia mais lugar para elas, uma outra imagem toma a frente e elas nascem, como era para ser desde o começo.






























